sexta-feira, 12 de abril de 2013






Toda a gente, pelo menos todos aqueles que eu conheço, chegam a um ponto da sua vida em que trocam as ilusões pelas coisas banais da vida, pela preocupação, pelo medo. Vivem endireitados pela rotina. Embalam os sonhos que sonharam a vida toda, que desde miúdos desejaram alcançar. Guardam-nos porque sabem que eles, ao contrário de nós, não perdem a validade. Não se gastam e nunca são demasiado espaçosos na nossa vida. Prometem revira-los, pegar neles e criar as mais belas histórias. Mas mais tarde. Um dia, talvez.


Para mim, não dá. Vivo dos meus sonhos, de mim num futuro próximo. Próximo, espero eu que seja. Acho que toda a gente é assim, vive em cima dos sonhos, dependem deles para continuar. Mas depois, há demasiado de tudo. Tudo o que nos preocupa e enlouquece, tudo o que parecendo que não, nos afasta daquilo que sonhamos. Correr atrás, correr demais, correr por eles. Pelos nossos sonhos, por eles apenas…

quinta-feira, 11 de abril de 2013


Um dia vou encontra-me. Encontrar-te-ei a ti. Sentado num banco de jardim, esfumaçando a ponta breve de um cigarro brando que te aquece a alma. Intuitivo e gingão, barba de três dias e saudades minhas. Assim te imagino, à minha espera, como se os dias não passassem e a ausência se tornasse cada vez mais acentuada na tua memória. Não me percas, agarra-te aquilo que te resta de mim. Estou a chegar, pensas.
Fugiremos juntos para longe. Longe de tudo o que agora é nosso. O que nos perturba e pouco a pouco nos transforma. Misturamos-nos com tudo aquilo que não nos pertence, que excluímos a princípio mas que agora devorará a nossa existência e perturbará a nossa maneira de pensar.
Vou encontra-te, pegar em ti e levar-te para longe. Longe daqui. A vida apressa-se, mas há coisas que continuam na mesma. Como esta minha vontade de ti. Da tua presença sonâmbula entre as horas mais escuras. O teu ser balançado a rodopiar à minha volta, envolvendo-me na teia doce da vida. Estou cheia de ti em cada movimento, cada cambalear fala da tua história, daquela que me transmitiste. Mesmo sem saberes. Inconscientemente sou a continuação da tua história, do teu nome, de ti .
Procuro-te lá fora, na confusão dos restantes. Procuro-te entre o mais comum dos Homens. Cheios de si próprios, vidas isoladas, telhados assombrados, mágoas doloridas. Vou encontrar-te, penso, para acalmar o meu coração sedento de ti. Eu sei, falam de ti… Mas não te conhecem, não como eu. Haverá outra forma de olhar para ti sem ser com o coração? Vagueias perdido na minha memória, flutuas com vontades abstractas. Desejas que te encontre, ainda não é o tempo certo. Um dia será, não agora. Riu para ti, para que venhas ao meu encontro, de mãos dadas com as tuas ilusões. Trá-las contigo, falamos sobre elas enquanto bebemos café...

'It's been a while, I'm not who I was before'



Decidi voltar a escrever, alias, não recordo o porque desta pausa tortuosa que soou para mim, como tempo de mais. Talvez fosse preciso coragem, força.


Ultimamente, o tempo está de costas voltas para mim. Não me suporta. É recíproco. As vidas que deixei para trás também não me olham com bons olhos, empurram-me na calçada quando pretendo atingir algum fim, troçam de mim quando nada me parece suficiente. Tropeço em mim, naquilo que fui. Fecho os olhos, respiro fundo, num suspiro demorado, até que os meus pulmões se encham de ar, continuo. Como sempre fiz. Todos os caminhos parecem os certos, menos aquele que eu escolhi para mim. A passividade com que vivo, em nada a mim se assemelha. As palavras correm esvoaçantes à minha volta, incontroláveis, desordenadas. Resto eu apenas, num silêncio instável que torna a amplidão da minha vida num cubículo minúsculo. Resto eu, sem pensamentos concretos, objectivos fixos. 
Torna-se impressionante a imensidão de tudo aquilo em que não me tornei.


love #1